A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e indiciou 16 pessoas, entre funcionários e ex-funcionários da companhia aérea. A tragédia deixou 62 mortos, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes, no mais grave desastre aéreo registrado no Brasil desde 2007.

Segundo o relatório apresentado pela PF, a investigação identificou uma série de falhas operacionais, omissões e práticas consideradas irregulares na gestão da empresa. Os investigadores apontam que houve deficiência na supervisão de procedimentos internos e na adoção de medidas de segurança que poderiam ter reduzido os riscos da operação.

Os indiciados deverão responder, em tese, pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo com resultado morte. Em alguns casos, também foram atribuídas suspeitas de omissão de informações sobre falhas técnicas nos registros de manutenção das aeronaves. A decisão sobre o oferecimento de denúncia caberá agora ao Ministério Público Federal.

Durante a coletiva de apresentação do parecer, a Polícia Federal afirmou que a investigação reuniu documentos, perícias, análises de manutenção, registros operacionais e depoimentos para reconstruir as circunstâncias que antecederam a queda do ATR 72-500 da Voepass, que fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).

As conclusões da PF também convergem com o relatório técnico divulgado anteriormente pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que apontou uma combinação de fatores, incluindo condições severas de formação de gelo, falhas nos sistemas da aeronave e problemas operacionais que contribuíram para a perda de controle do avião.

A investigação ainda destaca que práticas informais adotadas dentro da empresa e falhas na supervisão operacional criaram um ambiente que comprometeu os padrões de segurança exigidos para a aviação civil. O relatório também faz referências à necessidade de aperfeiçoamento da fiscalização regulatória exercida sobre a companhia.

Representantes das famílias das vítimas afirmaram que acompanharão os próximos desdobramentos judiciais e buscarão a responsabilização civil e criminal de todos os envolvidos. A expectativa é que o Ministério Público Federal analise o material produzido pela Polícia Federal antes de decidir pelo eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

O caso continua sendo um dos mais marcantes da aviação brasileira nas últimas décadas e reforça o debate sobre fiscalização, manutenção de aeronaves e cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança no transporte aéreo. 

Fonte:
AtitudeNew

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