O Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14) e demitiu aproximadamente 1,9 mil funcionários, segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico e repercutidas pela imprensa. O número de unidades encerradas representa cerca de 28,7% da rede física da companhia.
Os cortes podem, entretanto, ser ainda maiores. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, uma estimativa aponta que o número total de desligamentos pode chegar a 3 mil trabalhadores. Cerca de 600 funcionários teriam sido desligados na quinta-feira, enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para a sexta-feira.
Uma redução de quase um terço das lojas
A dimensão do fechamento chama atenção porque não se trata de uma redução pontual. A companhia tinha 1.039 lojas em maio de 2026, sendo 922 unidades das Casas Bahia e 117 do Ponto.
Com o encerramento das 298 unidades, a empresa reduz de maneira significativa sua presença física em um momento em que tenta reorganizar suas operações e diminuir despesas.
A medida faz parte de um plano de redução de custos que deverá ser detalhado pela companhia. Funcionários de diferentes regiões relataram ter encontrado unidades fechadas ao chegar para trabalhar.
Pressão financeira pesa sobre a decisão
A reestruturação acontece depois de anos de dificuldades financeiras no varejo e de esforços da própria companhia para recuperar sua rentabilidade.
Em 2024, o grupo passou por um processo de recuperação extrajudicial e posteriormente anunciou medidas para reduzir sua dívida. Na estratégia divulgada pela companhia, os anos de 2024 e 2025 foram marcados pela promessa de crescimento sustentável, recuperação da rentabilidade e redução do endividamento.
Para 2026, a empresa havia apresentado como objetivos um novo ciclo de expansão, monetização da plataforma, integração de crédito, serviços e logística e construção de um modelo omnicanal rentável.
O fechamento em massa de lojas mostra, porém, que a companhia enfrenta novamente a necessidade de ajustar sua estrutura para tentar equilibrar custos e receitas.
O varejo físico está mudando
O movimento das Casas Bahia também evidencia uma transformação que atinge o comércio tradicional: manter uma grande quantidade de lojas físicas tornou-se cada vez mais caro, especialmente em um mercado no qual o consumidor pode comparar preços e comprar pela internet.
Aluguéis, folha de pagamento, logística, manutenção e despesas operacionais pesam sobre o resultado das lojas. Ao mesmo tempo, o comércio eletrônico permite que grandes varejistas alcancem consumidores sem depender exclusivamente de uma extensa rede física.
A própria Casas Bahia mantém, em sua estratégia corporativa, a aposta em uma operação omnicanal, combinando lojas, comércio eletrônico, crédito, serviços e logística.
Demissões podem chegar a 3 mil
O impacto sobre os trabalhadores é uma das consequências mais significativas da decisão.
O número confirmado nas primeiras informações é de aproximadamente 1,9 mil demissões, mas fontes citadas pelo Valor Econômico estimam que os cortes possam alcançar 3 mil funcionários.
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região anunciou que pretende entrar com uma ação coletiva contra a empresa, questionando a forma como as demissões foram realizadas e buscando medidas em favor dos trabalhadores afetados.
Uma empresa tradicional diante de um novo cenário
A Casas Bahia é uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro e construiu sua presença nacional justamente por meio de uma extensa rede de lojas e do financiamento ao consumidor.
Agora, a estratégia parece caminhar para uma operação menor e mais concentrada, com maior preocupação com rentabilidade e eficiência.
O fechamento de 298 unidades de uma só vez, portanto, representa mais do que uma simples redução de lojas: é um sinal da profundidade da reestruturação pela qual passa uma das maiores empresas do varejo brasileiro.
A companhia ainda precisará demonstrar se a redução da estrutura será suficiente para melhorar seus resultados e recuperar a confiança do mercado. Ao mesmo tempo, o episódio deixa uma pergunta importante para o setor: até que ponto o modelo tradicional de grandes redes de lojas físicas ainda é sustentável diante da transformação do consumo e dos custos elevados para manter uma operação desse tamanho?
Fonte:
AtitudeNew