Existem meses que vestem uma cor. Os tons rosas foram escolhidos para representar outubro. Que nos convida a falar sobre prevenção, diagnóstico precoce e cuidado com a mulher. Mas a vida, essa senhora que não espera a virada do calendário, nos lembra que a saúde não conhece estações. O corpo não adoece por agenda, e o amor-próprio não deveria precisar de campanhas para ser lembrado.
É preciso falar de cuidado para além dos laços, das vitrines e das mensagens que se multiplicam neste mês. É preciso olhar nos olhos de cada mulher e reconhecer que nenhuma deveria precisar lutar para ter acesso à própria saúde.
Sobretudo, é preciso enxergar as mulheres com deficiência. Mulheres que, muitas vezes, precisam vencer barreiras antes mesmo de chegar a uma consulta. Encontram escadas onde deveria haver acesso, silêncio onde deveria haver informação e despreparo onde deveria existir acolhimento. A prevenção só é verdadeiramente para todas quando todas podem alcançá-la.
Uma mulher com deficiência não é menos mulher, não sente menos medo, não merece cuidado menor . Seu corpo não pode ser tratado como invisível, nem suas necessidades como exceção. A dignidade não admite adaptações pela metade.
Talvez a beleza mais profunda do Outubro Rosa esteja justamente no que ele nos ensina sobre nós mesmas: ninguém deveria caminhar sozinha quando o assunto é a vida. Uma conversa pode despertar coragem. Um gesto pode vencer o constrangimento. Uma mão estendida pode lembrar a outra mulher de que ela não está só.
Que sejamos capazes de construir uma união feminina que não se limite às palavras bonitas, mas se revele nas atitudes, na escuta, no respeito às diferenças e na disposição de cuidar umas das outras sem julgamentos.
E que cada mulher compreenda, no silêncio dos próprios dias, que cuidar de si não é egoísmo. É reconhecer o valor da própria existência. É fazer da própria vida uma prioridade, mesmo quando o mundo insiste em deixá-la para depois.
Outubro passará. O rosa deixará as vitrines, as campanhas perderão espaço, e a rotina seguirá seu curso. Mas os nossos corpos continuarão aqui, pedindo atenção, respeito e ternura.
Que o rosa não seja apenas a cor de um mês, mas a lembrança de um compromisso para a vida inteira. Porque o calendário pode marcar outubro para a conscientização, mas nenhum dia do ano deveria passar sem que uma mulher se sentisse merecedora do seu direito de viver com saúde e dignidade.
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